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O Passe e sua Eficácia: Uma Abordagem Psicofísica espiritual

Publicada em: 12/04/2026 20:00 -

O estudo do passe dentro da Doutrina Espírita revela um campo vasto e ainda pouco compreendido em sua profundidade. Muitas vezes, a prática é reduzida a um simples gesto mecânico: estender as mãos e aguardar que as forças espirituais realizem o restante do trabalho. Essa visão, embora comum, limita significativamente a eficácia do passe e empobrece seu verdadeiro significado.

Baseando-nos nos ensinamentos de Edgard Armond, especialmente em sua obra Passes e Radiações, compreendemos que o passe é, antes de tudo, um processo técnico, consciente e altamente dependente do preparo moral, mental e energético do passista.

1. O Passe como Ação Energética Consciente

O passe não é um ato automático. Ele envolve a mobilização de energias sutis que transitam entre o mundo físico e o espiritual. Essas energias são manipuladas pelo passista, mas não se originam exclusivamente dele. Trata-se de uma conjugação entre:

  • Energia espiritual (dos benfeitores) 

  • Energia vital (do passista) 

  • Energia psíquica (da mente e vontade) 

Edgard Armond enfatiza que o passista é um intermediário ativo, não passivo. Isso significa que sua participação consciente é essencial. A ideia de que “o plano espiritual faz tudo” pode levar à negligência no preparo individual, reduzindo a qualidade do trabalho.

2. A Importância do Estado Mental

Um dos pontos centrais destacados por Armond é o papel da mente no processo do passe. A mente do passista atua como:

  • Canal de transmissão 

  • Filtro das energias 

  • Direcionador da aplicação 

Pensamentos desordenados, preocupações, irritações ou distrações interferem diretamente na qualidade do passe. A energia transmitida tende a refletir o estado íntimo do passista.

Por isso, recomenda-se:

  • Concentração antes e durante o passe 

  • Elevação do pensamento 

  • Prece sincera 

  • Vigilância mental constante 

A disciplina mental não é apenas recomendável, mas indispensável.



3. O Papel da Vontade

A vontade é um elemento determinante no processo. Segundo Armond, é por meio dela que o passista direciona as energias. Não basta apenas “estar presente”; é necessário querer agir, querer auxiliar, querer transmitir.

A vontade atua como um “comando interno” que organiza o fluxo energético. Quando bem aplicada, ela:

  • Intensifica a transmissão 

  • Direciona o fluxo para áreas específicas 

  • Harmoniza o campo energético do assistido 

Sem vontade ativa, o passe se torna fraco, disperso e pouco eficiente.

4. Preparação do Passista

A eficácia do passe está diretamente ligada à preparação do trabalhador. Essa preparação envolve três aspectos fundamentais:

a) Moral

A conduta moral influencia diretamente a qualidade das energias. Não se trata de perfeição, mas de esforço constante de melhoria.

  • Bons sentimentos elevam a vibração 

  • Maus hábitos densificam o campo energético 

  • A coerência entre pensamento e ação fortalece o passista 

b) Física

O corpo físico também participa do processo:

  • Alimentação equilibrada 

  • Evitar excessos antes do trabalho 

  • Descanso adequado 

O corpo é o instrumento por onde as energias passam. Se estiver debilitado, o trabalho será prejudicado.

c) Espiritual

A sintonia com o plano espiritual é essencial:

  • Prece 

  • Estudo 

  • Participação nas atividades da casa espírita 

Essa sintonia permite que o passista atue em cooperação com os benfeitores espirituais.]



5. Tipos de Passe e Aplicação

Edgard Armond descreve diferentes modalidades de passe, cada uma com finalidade específica:

  • Passe dispersivo: remove energias negativas 

  • Passe concentrador: direciona energias para regiões específicas 

  • Passe calmante: reduz agitação emocional 

  • Passe revitalizante: reforça o campo vital 

O passista deve compreender essas variações para aplicar o passe de forma mais eficaz, evitando uma prática genérica e pouco direcionada.

6. O Assistido: Parte Ativa do Processo

Outro ponto importante é que o paciente não é apenas um receptor passivo. Sua atitude influencia diretamente o resultado.

Fatores que contribuem para a eficácia:

  • Receptividade 

  • Fé (não cega, mas confiante) 

  • Desejo sincero de melhora 

  • Estado emocional equilibrado 

Quando o assistido está fechado, resistente ou descrente, o aproveitamento do passe diminui significativamente.

7. Interferências e Limitações

Nem sempre o passe produz efeitos imediatos ou perceptíveis. Isso ocorre por diversos fatores:

  • Débitos espirituais 

  • Processos obsessivos 

  • Resistência do assistido 

  • Limitações do próprio passista 

O passe não é uma solução mágica, mas um recurso terapêutico que atua dentro das leis espirituais. Muitas vezes, ele auxilia no equilíbrio gradual, preparando o indivíduo para mudanças mais profundas.

8. O Papel dos Espíritos Benfeitores

Embora o passista tenha papel ativo, a presença espiritual é fundamental. Os benfeitores:

  • Orientam a aplicação das energias 

  • Complementam o trabalho 

  • Ajustam o que o passista não consegue alcançar 

Porém, essa assistência depende da sintonia vibratória. Quanto mais equilibrado e disciplinado for o passista, maior será a qualidade dessa cooperação.

 

9. Responsabilidade e Consciência

A prática do passe exige responsabilidade. Não se trata de um ato trivial, mas de uma atividade de assistência espiritual.

O passista deve:

  • Evitar vaidade 

  • Não se considerar “curador” 

  • Manter humildade 

  • Reconhecer-se como instrumento 

A consciência dessa responsabilidade eleva o nível do trabalho e evita desvios

10. Dinâmica Prática do Passe: Mecanismo Energético e Aplicação

Para compreender plenamente a eficácia do passe, é indispensável analisar o que ocorre, de fato, durante sua aplicação. Não basta saber que há transmissão de energias — é necessário entender como essas energias se combinam, atuam e produzem efeitos no assistido.

10.1 A Fusão das Energias no Assistido

Durante o passe, ocorre uma verdadeira interação energética tripla:

  1. Energia espiritual (dos benfeitores) 

  2. Energia anímica (do passista) 

  3. Energia do próprio assistido 

Essas energias não permanecem separadas — elas se fundem momentaneamente, formando um campo único de atuação.

O mecanismo pode ser compreendido em etapas:

a) Emissão

O passista, por meio da vontade e concentração, emite energias do seu campo vital (energia anímica), ao mesmo tempo em que se conecta com o plano espiritual.

b) Modulação espiritual

Os espíritos benfeitores atuam sobre essa energia, qualificando-a, ajustando sua intensidade, frequência e finalidade.

c) Penetração no perispírito

A energia atinge primeiramente o perispírito do assistido (corpo energético), onde estão registrados desarmonias, bloqueios e desequilíbrios.

d) Distribuição

Após penetrar, a energia se distribui automaticamente ou direcionadamente para:

  • Centros de força (chakras) 

  • Regiões enfermas 

  • Campos emocionais perturbados 

e) Assimilação ou rejeição

O organismo espiritual do assistido pode:

  • Assimilar (quando há abertura e sintonia) 

  • Resistir (quando há bloqueios emocionais ou mentais) 

Esse ponto é crucial: o passe não é imposto — ele é aceito ou não.

10.2 O Passe de Limpeza (Dispersivo)

O passe de limpeza tem como objetivo principal remover energias densas, miasmas espirituais e formas-pensamento negativas.

Mecanismo:

  • O passista realiza movimentos mais amplos e contínuos 

  • A energia aplicada atua como um “varredor energético” 

  • Há uma espécie de desagregação das energias inferiores 

Efeitos comuns:

  • Sensação de leveza 

  • Bocejos ou arrepios 

  • Relaxamento imediato 

Do ponto de vista técnico, esse passe atua mais na retirada do que na reposição de energia.

10.3 O Choque Anímico

O chamado choque anímico ocorre quando há uma injeção mais intensa de energia vital do passista, geralmente com forte participação da vontade.

Quando ocorre:

  • Em casos de apatia profunda 

  • Estados depressivos ou de queda energética 

  • Situações de desânimo intenso 

Mecanismo:

  • O passista eleva sua vibração 

  • Concentra fortemente sua vontade 

  • Emite energia de forma mais intensa e direcionada 

Essa energia atua como um estímulo energético, quase como um “despertar” do campo vital do assistido.

Importante:
Esse tipo de passe exige preparo. Se mal aplicado, pode causar:

  • Agitação excessiva 

  • Desconforto 

  • Sobrecarga energética 

10.4 O Passe de Origem Espiritual

Neste caso, a atuação dos espíritos é predominante.

O passista atua mais como:

  • Canal 

  • Sustentação energética 

  • Elemento de ligação entre os planos 

Características:

  • Movimentos mais suaves ou até estáticos 

  • Forte sensação de paz no ambiente 

  • Intuição guiando o passista 

Mecanismo:

  • O passista entra em sintonia elevada 

  • Reduz sua interferência pessoal 

  • Permite que os benfeitores conduzam o processo 

Aqui, a qualidade do passe depende diretamente da sintonia espiritual.

10.5 A Concentração do Passista e o Direcionamento Energético

Um dos pontos mais importantes — e muitas vezes negligenciado — é a capacidade de focalização.

O passista não deve apenas “emitir energia”, mas sim direcioná-la com precisão.

Como atingir o ponto a ser tratado:

a. Visualização

O passista pode mentalizar:

  • A região do corpo 

  • O órgão afetado 

  • O centro de força correspondente 

Essa visualização funciona como um “endereço energético”.

b. Intuição

Muitas vezes, o passista percebe:

  • Sensações nas mãos (calor, formigamento) 

  • Intuição de onde atuar 

  • Mudanças no campo energético 

c. Vontade dirigida

A vontade deve ser específica:

  • Não apenas “curar” 

  • Mas “harmonizar tal região” 

  • “equilibrar tal centro energético” 

d.Sustentação mental

Manter o foco durante todo o passe é essencial. Pensamentos dispersos causam:

  • Perda de intensidade 

  • Desvio do fluxo energético 

  • Redução da eficácia 

10.6 Integração dos Elementos

Um passe bem aplicado envolve simultaneamente:

  • Consciência técnica (saber o que está fazendo) 

  • Vontade ativa (direcionar energia) 

  • Concentração (manter foco) 

  • Sintonia espiritual (permitir auxílio superior) 

Quando esses elementos se alinham, o passe deixa de ser um ato mecânico e passa a ser uma intervenção energética precisa e eficaz.

Conclusão

A prática do passe, conforme aprofundada por Edgard Armond, não pode ser reduzida a gestos simbólicos. Ela exige:

  • Conhecimento 

  • Disciplina 

  • Sensibilidade 

  • Responsabilidade 

Compreender o mecanismo energético, os tipos de aplicação e o papel da mente e da vontade transforma o passista em um verdadeiro agente consciente de auxílio espiritual.O passe, conforme ensinado por Edgard Armond, é uma prática profunda, técnica e espiritual. Reduzi-lo a um gesto automático é perder sua essência e limitar seus benefícios.Quando realizado com preparo, disciplina e consciência, o passe se torna um poderoso instrumento de auxílio, promovendo equilíbrio físico, emocional e espiritual.

 

Mais do que uma técnica, o passe é um exercício de amor, doação e responsabilidade. Seu verdadeiro valor está na união entre conhecimento, vontade e elevação moral.

Prof. Wagner Ideali

 

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