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Bem Vindo!



Mensagem do dia

"A consciência é uma, porém, se manifesta diversificadamente: de uma forma restrita, na vida normal, pelo fato de ser limitada pelo organismo" Léon Denis.

Bem Vindo!

Jesus visto por Públio Lentulus

Jesus visto por Públio Lentulus

Segundo aprendemos na Doutrina Espírita, Emmanuel (mentor de Francisco Cândido Xavier) e Públio Lentulus são a mesma individualidade. Públio era senador romano e vivia na Palestina, no tempo em que Jesus cumpriu ali Sua missão. Sua história é narrada no romance Há 2000 anos, publicado pela FEB. O orgulhoso senador teve oportunidade de falar pessoalmente com o Cristo, numa passagem difícil de sua existência, mas, segundo ele, deixou escapar aquele momento sagrado, desprezando a vereda de luz que o divino Amigo lhe fizera entrever.

A pedido de Lívia, sua esposa, Públio fora, a contragosto, à procura do sublime Rabi para solicitar-lhe a intervenção em favor da filhinha querida, que se encontrava adoentada. Depois de caminhar longo tempo sem O encontrar, sentou-se em um banco de pedra e deixou-se ficar ali, abismado em suas cogitações, enquanto a noite cobria a região com seu velário imenso. Em dado momento, porém, sob suave torpor, pareceu-lhe haver sido arrebatado em espírito, quando percebeu os passos de alguém: era Jesus que se aproximava de mansinho e o olhava com profunda compaixão.

Envolto por estranho magnetismo, Públio deixou que lágrimas ardentes lhe caíssem dos olhos, enquanto uma força poderosa o fez ajoelhar-se na relva prateada de luar. O entendimento entre ambos que se segue é um dos mais belos já registrados na literatura terrena. Jesus o concita a aproveitar aquele glorioso momento – naquele instante ou daí a alguns milênios –, e lhe promete a cura da filhinha, graças à fé e ao amor presentes no coração de sua esposa. Passado o êxtase, o orgulhoso senador retorna às sombras de sua personalidade terrena e, desprezando aquele minuto decisivo em sua vida, sente-se amargamente humilhado por haver dobrado os joelhos diante daquela figura extraordinária, fato que sobrepôs-se à própria alegria de chegar em casa e ver a filhinha convalescente nos braços da esposa.

“Para mim [diz Emmanuel, no romance citado] essas recordações têm sido muito suaves, mas também muito amargas. Suaves pela rememoração das lembranças amigas, mas profundamente dolorosas, considerando o meu coração empedernido, que não soube aproveitar o minuto radioso que soara no relógio da minha vida de Espírito, há dois mil anos.”

Após uma vida longa e atribulada, Públio desencarna no ano 79, sob os escombros de Pompeia, quando o Vesúvio entrou em erupção.

A página seguinte é uma das mais belas descrições de Jesus em todos os tempos. Dizem historiadores que foi encontrada no arquivo do Duque de Cesarini, em Roma. É uma carta atribuída a Públio Lentulus, então procônsul na Judeia, e foi enviada de Jerusalém ao imperador Tibério César para informá-lo dos acontecimentos na Palestina. Foi traduzida para vários idiomas, publicada em jornais e revistas e distribuída, aos milhares, em forma de folheto.

Eis uma de suas mais divulgadas versões:

Retrato de Jesus

Sabendo que desejas conhecer quanto vou narrar, e existindo em nossos tempos um homem de grandes virtudes chamado Jesus, conhecido do povo como profeta da Verdade e seus discípulos dizem que é Filho de Deus, criador do céu e da terra, e de todas as coisas que nela se acham e nela tenham estado, em verdade, ó César, cada dia mais se ouvem coisas maravilhosas desse Jesus: ressuscita os mortos, cura os enfermos… Em uma palavra: é um homem de estatura justa e muito belo de aspecto, e há tanta majestade em seu rosto que aqueles que o veem são forçados a amá-lo ou temê-lo.

Tem os cabelos da cor da amêndoa bem madura, distendidos até as orelhas e das orelhas até as espáduas: são da cor da terra, porém mais reluzentes. Tem no meio da fronte uma linha separando os cabelos, na forma em uso entre os nazarenos. Seu rosto é cheio, o aspecto é muito sereno e nenhuma ruga ou mancha se vê na sua face de uma cor moderada; o nariz e a boca são irrepreensíveis. A barba é espessa e semelhante aos cabelos, não muito longa, mas separada ao meio; seu olhar é muito afetuoso e grave. Tem os olhos expressivos e claros, e o surpreendente é que resplandecem no seu rosto como os raios do sol. Ninguém pode olhar fixamente o seu semblante, porque, quando resplende, amedronta, e quando ameniza, comove.

Faz-se amar e é alegre com gravidade. Dizem que nunca o viram rir, mas sim chorar. Tem os braços e as mãos muito belos. Na palestra, contenta muito, mas raramente o faz. Quem dele se aproxima verifica que é muito modesto na pessoa e na presença. É o mais belo homem que se pode imaginar, muito semelhante à mãe, que é de rara beleza.

De letras, faz-se admirar por toda a cidade de Jerusalém: ele sabe todas as ciências e nunca estudou nada. Caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça. Muitos se riem, vendo-o assim; mas, na sua presença, falando com ele, tremem e o admiram. Dizem que jamais alguém falou como esse homem, por estas redondezas; em verdade, segundo me dizem os hebreus, não se ouviram nunca tais conselhos, de grande doutrina, como ensina esse Jesus. Muitos judeus o têm como divino, enquanto muito outros querelam, afirmando que ele é contra a lei de Tua Majestade, e sou muito molestado por esses malignos hebreus. Diz-se que esse homem nunca fez mal a quem quer que seja, mas, ao contrário, atestam haver dele recebido saúde e benefícios aqueles que o conhecem e com ele convivem.

Se a Majestade Tua, ó César, deseja vê-lo, como no aviso passado escreveste, dá-me ordens e procurarei mandá-lo o mais depressa possível.

À tua obediência estou prontíssimo: aquilo que Tua Majestade ordenar será cumprido. Fidelíssimo e obrigadíssimo – (a) – Publius Lentulus, presidente da Judeia.

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